Symbolic Landscape















IMAGENS DO REAL IMAGINADO

2 a 6 de Novembro de 2010

Biblioteca Almeida Garrett


(Exposição) Paisagem Simbólica

Auditório da Biblioteca Almeida Garret, Porto, Portugal




OPEN DOCUMENTARY


Quando se procura definir o filme documentário ocorre estarmos em presença de um objecto do campo cultural que remete para o domínio de discursos e narrativas de natureza diversa sobre o mundo real. Os discursos, entendidos no cinema como a materialização de significados resultantes da articulação gramatical de signos audiovisuais, são portadores de mimesis, mas também de diegesis. A primeira aponta para a imitação, a segunda para a narrativa. É nesta duplicidade de sentido, da qual o pathos é inseparável elemento dramático, que se inscreve a ideia do documentário. O mesmo se aplica, de resto, à generalidade das narrativas. Só que no documentário, sendo muito presente o papel da tecnologia enquanto elemento indutor de linguagens, sempre houve lugar para um vasto campo experimental. Como tal, a expressão open documentary é de certa forma redundante dadas as metamorfoses deste outro cinema no plano da historicidade. Se agora ganha nova acutilância parece isso ser consequência de duas ordens de factores: por um lado, o corte epistemológico do filme documentário face à formatação imposta pela vulgata televisiva e, por outro, uma cada vez maior transversalidade das artes que abre o campo àquilo em que o documentário sempre se sentiu muito à vontade, ou seja, a busca de um número praticamente ilimitado de possibilidades combinatórias para efeito de explicitação. Esta 7ª edição do IRI reflecte isso mesmo. Beneficia de uma retrospectiva dos filmes de ruptura de Alain Resnais, cineasta da modernidade, que estabelecem entre si um fascinante diálogo entre diversas formas de expressão criativa, bem como de um ciclo de cinema de animação alemão ao qual não é estranha a linguagem de alguns documentários. Tem filmes de autores que trabalham com arquivos, fotografias e outros materiais fazendo dos seus filmes uma permanente reflexão sobre o cinema. Tem um conjunto de masterclasses nas quais o tema open documentary é declinado de múltiplas formas. E tem filmes e exposições fotográficas que tanto resultam do Mestrado em Comunicação Audiovisual do Departamento de Artes da Imagem da Esmae, quanto dos cursos de 1º Ciclo. Finalmente, uma nota de reconhecimento pela colaboração da Alliance Française e do Goethe Institut. Sem eles o IRI não seria o que é.

Jorge Campos



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